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Construção Civil em Angra: uma luta de 30 anos
A história do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Angra dos Reis e região confunde-se, em parte, com a história da construção do próprio complexo nuclear de Itaorna, em Angra. Antes da criação efetiva do Sindicato, os primeiros movimentos de luta da categoria foram feitos através da Associação dos Empregados na Construção Civil de Angra (Apeccar), há 30 anos, em 1979. À época, os primeiros líderes deste movimento eram Nelson Ferreira dos Santos, Joaquim Francisco Vieira, João Martins dos Santos, Gerson e outros companheiros, que contavam na ocasião com apoio efetivo da Igreja Católica, que arrecadou doações do exterior para viabilizar a compra de imóvel e o início da construção da sede.
Neste início de luta, a Apeccar contava com a ajuda voluntária dos advogados Edir Inácio da Silva e Arnaldo Basílio que atuavam na linha de frente de defesa da entidade e ajudaram a transformar a Associação em Sindicato. Os advogados também eram ligados à Igreja Católica, com atuação na combativa Diocese de Volta Redonda e Barra do Piraí. A ditadura militar no Brasil entrava num período de distensão, mas a organização de entidades de luta como Sindicatos ainda enfrentava muitos obstáculos.
A Carta Sindical do Sindicato da Construção Civil só foi conquistada em 1986.
A partir de 4 de março deste ano, a Apeccar torna-se o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Angra dos Reis (Sticcar).
A primeira grande ação do novo Sindicato foi durante os conflitos causados pelo Plano Cruzado. O Sticcar organizou nesta época, a primeira greve dos trabalhadores da empresa Odebrecht nos canteiros de obras da usina nuclear Angra II. A luta era pelo pagamento da 'hora extra' acima de 25%, como determinava a Lei, além do repouso semanal remunerado e a folga em cima de 'dobras' na jornada regular de trabalho. A categoria também pedia aumentos nos valores repassados a título de auxílio alimentação. A luta foi vitoriosa e a partir daí, a organização dos trabalhadores começou a ganhar mais força.
A primeira diretoria do Sticcar tinha à frente o primeiro presidente da entidade, Nelson Ferreira, cujo mandato foi desde a criação da Apeccar, em 1978, até 1992.
A diretoria pioneira tinha ainda Valdir Marciano da Silva (vice-presidente), José Manoel de Oliveira (o 'Zuza') e Nelson Ribeiro Duarte, como secretários e Joaquim Francisco Vieira como tesoureiro. Aliás, o 'seu' Joaquim é o único tesoureiro do Sindicato, exercendo suas funções até hoje.
Em 1992, Zuza assumiu a Presidência, ficando na função até 1998, mesmo durante o período em que exerceu mandato de vereador na cidade de Angra. São desta época, algumas conquistas como a ampliação do número de categorias representadas pelo Sindicato, entre elas a construção e reparo de estradas, obras de terraplenagem em geral, montagens industriais e do mobiliário.
O terceiro presidente do Sticcar foi Claudio Wagner Stevanato. Ele assumiu a gestão do Sindicato em outubro de 1998. Sua gestão foi até 2004. Nesta época, houve nova ampliação nas categorias de representação do Sindicato, que passou a representar também os trabalhadores na indústria de ladrilhos hidráulicos, mármores e granitos e ainda a engenharia consultiva. Em julho de 2002, outra alteração estatutária importante foi a ampliação da base territorial, incluindo Paraty como área de atuação do Sticcar. A partir de 2004, com estas mudanças, o Sticcar mudou de nome, passando a ser o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de Angra dos Reis e Paraty (Sticpar).
Desde 2004, o Sticpar está sendo presidido por Donato Borges da Silva Filho, que trabalhava em Itaorna como funcionário da Odebrecht desde o final da década de 70. Nesta diretoria estiveram ainda Joaquim Francisco Vieira, Carlos da Silva, Eleno José de Souza e João Justino da Silva.
É desta gestão o início das lutas pela retomada da construção da usina nuclear Angra 3. O movimento pró-Angra 3 nasceu com apoio do Sticpar e percorreu todo o Estado em audiências públicas; reuniões na Assembleia Legislativa do Rio; no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília e nas audiências públicas legais para debate das ações de compensação ambiental em Angra, Paraty, Ubatuba (SP) e Rio Claro.
Donato foi reconduzido à função de presidente em 2007, para mandato que irá até 2010. Foram eleitos nesta mesma ocasião, novos diretores como Antônio Cordeiro da Silva, Marcelo Vidal de Oliveira, Jorge de Oliveira Cunha, Olegário, Paulo Roberto e Robson. Nesta gestão, além da luta vitoriosa pela retomada das obras da usina Angra 3, que significará um incremento de mais de 5 mil novos empregos na região, o Sticpar tem atuado para assegurar as conquistas e os direitos trabalhistas em sua área de atuação. Uma das conquistas desta gestão é o pagamento da periculosidade por risco elétrico aos trabalhadores que atuaram no serviço de troca dos geradores de vapor da usina Angra I, próximos à subestação de 500 Kv de Furnas.
É pelo trabalho e dedicação de todos os seus ex-dirigentes, da atual diretoria e de todos os trabalhadores de sua base, que o Sticpar é hoje uma entidade forte e transparente. Além da Diretoria, o Sticpar ainda conta com outros membros como o Conselho Fiscal, as assessorias jurídica e de saúde, secretárias e ex-secretárias e suplentes.
É uma história ainda em construção e muitas outras conquistas ainda virão, com a luta e a união de todos.
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